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La Camionera

Gray Marchiori-Simpson, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

Cidade & Cultura·Hackney, London, United Kingdom·Como chegar ↗

La Camionera

Um bar lésbico com jeito de café de Madri, na Well Street de Hackney — não em Dalston.

CUBIC-V

LGBTQIA+ friendlyAchado escondido

Publicado

Por que vale a pena conhecer

  • 243 Well Street, Hackney, Londres E9 6RG — 25 minutos a pé do Dalston Superstore, um bairro diferente do que muito guia coloca
  • Fundado por Alex Loveless e Clara Solis, que tocavam o body2body, a noite trans masc do Dalston Superstore, antes de abrir esse espaço fixo em maio de 2024
  • Café de dia, vinho e coquetel à noite: seg-ter 16h-23h, qua e dom 11h-23h, qui-sáb 11h-23h30, só balcão, sem reserva
  • Clara Solis pintou os azulejos à mão, inspirada nos azulejos portugueses e nos desenhos do Minotauro de Picasso — não é decoração comprada, é obra dela
  • O pé de figo no jardim é de verdade, e é o ponto: um bar de esquina de Madri remontado em Hackney, não uma versão temática dele

Um bar entrega o que pensa de si mesmo na primeira escolha de material que faz, e a da La Camionera é um painel de azulejos pintados à mão atrás do balcão — pela própria sócia. Não é peça comprada de catálogo: Clara Solis pintou cada um, a partir dos azulejos portugueses e dos desenhos do Minotauro de Picasso. É um jeito diferente de construir um bar.

Primeiro, a correção: isso é Hackney, não Dalston

Antes de qualquer outra coisa, o endereço certo, porque muito guia erra. La Camionera fica na 243 Well Street, Hackney, E9 6RG. O Dalston Superstore, o lugar de onde vem toda a origem dessa casa, fica a 25 minutos a pé — outro código postal, outra rua principal, outra noite. Colocar isso em "Dalston" não é só um detalhe errado: manda alguém para o lado errado do bairro.

Fachada com toldo listrado do Dalston Superstore na Kingsland High Street, Londres E8.
Dalston Superstore, na Kingsland High Street — onde rolava o body2body e onde os fundadores da La Camionera se conheceram. Não é a casa em si: fica na Well Street, 25 minutos a pé dali. · Ewan Munro, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Construído por quem tocava a noite, não por quem só a reservava

Alex Loveless, músico e DJ trans masc, e Clara Solis, artista espanhola, tocavam o body2body no Dalston Superstore — uma noite trans masc específica, não uma balada queer genérica, e isso importa pra entender o resto. Quem só reserva uma casa aprende o que uma galera quer por uma noite. Quem toca a mesma noite recorrente aprende o que essa comunidade não tem nos outros seis dias.

O que os dois construíram como resposta começou como pop-up: uma noite quinzenal no porão de um bar de coquetéis na Broadway Market, em fevereiro de 2024. Viralizou de verdade — praticamente toda mulher queer do leste de Londres apareceu na abertura, transformando uma quarta-feira comum numa festa de rua que ninguém tinha marcado.

Rua de fachadas comerciais na Broadway Market, em Hackney, Londres E8.
Broadway Market, onde um pop-up quinzenal no fundo de um bar virou festa de rua — e, depois, essa casa. · Robin Webster, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

De £80 mil arrecadados a um contrato na Well Street

A resposta financiou o resto: quase £80 mil arrecadados em poucas semanas, o suficiente para fechar contrato, reformar uma loja na Well Street e abrir como espaço fixo em maio de 2024. Fundadores e imprensa chamaram na época de o primeiro espaço lésbico londrino de propriedade FLINTA (mulheres, lésbicas, intersexo, não-binárias, trans e agênero) em mais de uma década — um dado que pesa mais quando se sabe que mais de 60% dos espaços LGBTQ+ de Londres fecharam entre 2006 e 2022.

Um espaço construído como os bares em que Clara cresceu

O projeto, com Studio Popelo e Wet Studio, buscou um clima ibérico, não o "bar queer" genérico: a referência eram os cafés-bar que a família de Clara frequenta perto de Madri, não as casas mais escuras e barulhentas da noite queer londrina. Dá pra ver nas escolhas: balcão de alumínio escovado, piso azul-claro, reboco bruto que a demolição deixou à mostra, madeira escura, teto pintado de vermelho-canela, luminárias de vitral, móveis de segunda mão, uma porta de madeira reaproveitada correndo na entrada dos funcionários.

Café de dia, e um pé de figo de verdade lá atrás

Aparece também no que o espaço vira em cada horário. Café e pastel de dia, vinho e coquetel à noite — uma promessa que dá pra testar de verdade, já que é a mesma porta dos dois lados.

E lá atrás, atrás das janelas que abrem a parede toda pro jardim: um pé de figo, bancos esculpidos e caiados, alecrim e oliveira. Menos móvel de jardim genérico, mais o detalhe que um bar de esquina de Madri teria e uma réplica temática não se daria ao trabalho de acertar.

Um pé de figo com folhas e frutos num jardim.
Um pé de figo, fotografado num jardim francês — não é o da La Camionera, mas é a mesma espécie que ancora o jardim dos fundos na Well Street. · JLPC, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons
Painel de azulejo português azul e branco em Lisboa.
Um painel de azulejo em Lisboa — a tradição de onde Clara Solis partiu, não uma foto dos azulejos da própria La Camionera, que são obra original dela. · Alvesgaspar, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Horário, política de balcão e como conseguir lugar

Segunda e terça, 16h-23h. Quarta e domingo, 11h-23h. Quinta a sábado, 11h-23h30. Happy hour todo dia, 16h-19h. A casa hoje funciona só no balcão — o sistema antigo de reserva de mesa foi abandonado, segundo o próprio site, embora algumas listagens de 2024-25 ainda descrevam mesa reservável que não existe mais.

Só balcão numa casa desse tamanho de buzz dá no que se espera: quem foi conta que entrar depois das 15h de sábado é quase impossível, e que numa quinta às 19h já estava lotado. O lado café de dia é a aposta mais testável — um café de manhã de semana, azulejo e tudo, sem a fila que se forma no fim de tarde.

Relatos sobre atendimento são mistos quando a casa enche: tem quem descreva equipe atenciosa, tem quem descreva atendimento seco numa noite cheia. Bate com o padrão de fila acima: casa pequena, só balcão, lotada, é turno mais difícil de tocar de forma pareja do que uma casa vazia.

Acessibilidade e imprensa desde a abertura

A entrada, o balcão principal e o banheiro são acessíveis para cadeira de rodas; o fundo e o jardim têm três degraus, com corrimão.

Imprensa, Instagram e o resto do mapa

A casa já apareceu na Wallpaper*, na i-D, na Dazed e na PinkNews desde a abertura — nada surpreendente depois de ver a fila de uma quinta-feira.

Vale seguir @camionera.e9 pro que está rolando de fato — noite de solteiros, desenho ao vivo, sarau e pop-up sazonal saem lá e nem sempre entram numa agenda fixa em outro lugar. Pro resto do mapa queer do leste de Londres, o Dalston Superstore é a casa de balada de onde vêm os fundadores, e a Gay's the Word é a livraria do mesmo circuito.

Fontes: La Camionera — official site (hours, accessibility, walk-in policy), PinkNews — New lesbian bar La Camionera officially opens in London, Wallpaper* — The Hackney bar reviving London's legacy of lesbian spaces, Dazed — La Camionera: How the stars aligned for London's new lesbian bar, i-D — Inside La Camionera, the Heart of London's 'Lesbian Renaissance', Dalston Superstore — body2body event page, CAMRA — La Camionera, Hackney (pub listing), The Infatuation — La Camionera review (queue/crowd behaviour), La Camionera — Instagram (@camionera.e9)

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