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Gay's the Word

Spudgun67, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Cidade & Cultura·Bloomsbury, London, United Kingdom·Como chegar ↗

Gay's the Word

A livraria LGBT+ mais antiga do Reino Unido, na Marchmont Street desde 1979. Independente.

RADAR-X

LGBTQIA+ friendlyLenda local

Por que vale a pena conhecer

  • Aberta em 17 de janeiro de 1979 por integrantes do Gay Icebreakers, um grupo socialista gay — a livraria LGBT+ mais antiga do Reino Unido
  • Invadida pela alfândega britânica em 1984 na 'Operação Tigre'; as acusações caíram em 1986, depois de um fundo de defesa de £55 mil
  • O Lesbians and Gays Support the Miners se reunia aqui em 1984-85 — a história que virou o filme Pride
  • Quase fechou em 2007; foi salva por campanha pública. Aberta de terça a domingo, vendendo o que ninguém mais põe na estante

Todo radar de programação de Londres menciona esta loja uma semana em fevereiro e outra em junho, e depois esquece que ela existe. É exatamente o contrário do que deveria. A listagem que importa é a que vale em novembro: a livraria LGBT+ mais antiga do Reino Unido abre de terça a domingo, e precisa de clientes, não de aniversários.

Os fatos têm dente. A Gay's the Word abriu em 17 de janeiro de 1979, fundada por integrantes do Gay Icebreakers, um grupo socialista gay — e se esse nome acende alguma coisa para quem lê o Near, deveria: os Icebreakers são o mesmo coletivo que mantinha residências de disco em 1976 no pub da Wharfdale Road que hoje se chama Central Station. As pessoas que organizavam as noites da Londres queer decidiram que ela também precisava de um lugar para ler. Mesmo movimento, dois endereços, os dois de pé. Isso não é coincidência; é infraestrutura.

Operação Tigre, e por que o nome ainda importa

Em 1984, a alfândega britânica (HM Customs) invadiu a loja numa ação de grande escala batizada de "Operação Tigre" — milhares de libras em estoque apreendidas, e os diretores acusados de conspiração para importar livros indecentes com base na Lei de Consolidação Aduaneira de 1876. Releia o ano: uma lei vitoriana, usada contra uma livraria, dentro da memória viva de qualquer pessoa hoje na casa dos sessenta.

O fundo de defesa levantou mais de £55 mil. Gore Vidal entrou com £3 mil. As acusações caíram em 1986, que é o jeito educado de dizer que o Estado comprou briga com uma livraria e perdeu. O estoque que a alfândega considerou indecente incluía, pelos relatos correntes, exatamente o tipo de literatura que hoje qualquer rede exibe nas suas duas prateleiras de fevereiro — e esse é o argumento inteiro para a venda ir para a loja que brigou por ela.

A sala dos fundos onde Pride aconteceu

Mesmos anos, mesmo endereço: o Lesbians and Gays Support the Miners se reuniu aqui ao longo de 1984-85, arrecadando dinheiro para as famílias dos mineiros em greve, até as reuniões ficarem grandes demais para a sala. Se você viu o filme Pride, conhece a história. Uma correção honesta que os textos de aniversário pulam: a loja do filme era um cenário na Kingsgate Road, em West Hampstead — a real é esta, menor, e com estoque.

Mark Ashton, cofundador do LGSM, tem uma placa neste endereço. A loja ainda vende camisetas do LGSM, que é o jeito certo de vender história: como algo que você carrega porta afora, não algo atrás de um vidro.

O que ela é hoje, na prática

Uma livraria em funcionamento, mais ou menos uma sala, densa como só uma especialista consegue ser: ficção, poesia, teoria, quadrinhos, juvenil, infantil, biografia, raros e usados — o acervo profundo que o algoritmo de uma rede nunca vai te mostrar, escolhido por gente que sabe por que aquele livro de memórias esgotado importa. Lançamentos, eventos com autores e mesas de debate rodam o ano inteiro. Horário no momento em que escrevo: terça a sábado, das 11 às 18; domingo, das 13 às 18; segunda fechada — confirme antes de uma viagem especial, como com tudo no Near.

E a parte que impede isto de ser placa de patrimônio: ela quase quebrou em 2007, espremida pelo aluguel e pela compra de livros na internet, e sobreviveu porque as pessoas apareceram — uma campanha, imprensa, e depois a única coisa que salva uma loja de fato: venda. Uma livraria que sobreviveu a uma batida da alfândega, a uma crise de aluguel e a quatro décadas de "o impresso morreu" não está pedindo a sua pena. Está perguntando o que você vai ler agora.

Por que ir

Porque Bloomsbury fica a dez minutos a pé das estações onde todo mundo desembarca, e esta é a melhor primeira parada possível para quem lê e chega queer em Londres: você sai com um livro, um panfleto de eventos gratuito e recomendações melhores que as de qualquer aplicativo. E porque o fio que ela ancora — dos Icebreakers ao Central Station, do LGSM ao Pride, de 1979 até agora — é o mesmo que atravessa o Dalston Superstore e o resto da cobertura queer de Londres no Near: instituições sobrevivem quando a sua gente as trata como necessidade, não como novidade.

Fontes: Gay's the Word (official site), Wikipedia — Gay's the Word (bookshop)

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