
Ludovic Bertron, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons
Barraca da Dhéia
Barraca LGBTQIAP+ nas Pitangueiras, e ponto de apoio no mapa do estado.
Por que vale a pena conhecer
- Barraca de praia nas Pitangueiras feita para a comunidade LGBTQIAP+ — não é 'aceita', é da comunidade mesmo
- Citada como ponto de apoio LGBTQIAPN+ do Guarujá no Mapa do Turismo LGBT do estado, junto com a Barraca da Márcia É Show, na Enseada, e o Quiosque 39
- Guarujá, São Vicente e Praia Grande entraram no mapa: a Baixada deixou de ser só boca a boca e virou política pública
- Av. Marechal Deodoro da Fonseca, 1522, Pitangueiras — telefone (13) 99773-3751
- Setembro é a hora: a primavera começa agora no litoral e as barracas enchem antes da temporada de verão
Barraca não é bar com vista para o mar. Barraca é o mar: guarda-sol fincado na areia, cadeira de plástico, cerveja gelada, peixe frito, caipirinha — e, principalmente, alguém que decide quem é bem tratado naquele pedaço de areia. Por isso uma barraca nas Pitangueiras que se descreve como "uma barraquinha delícia em Guarujá voltada para a nossa comunidade LGBTQIAP+" está fazendo algo maior do que parece. Alguém pegou um pedaço da areia do Guarujá e disse, em voz alta, que ali é nosso.
Por que uma barraca é infraestrutura
A geografia queer da Baixada sempre existiu e quase nunca foi escrita. Um quiosque aqui, um trecho de areia ali, tudo no boca a boca e invisível para quem não tinha o contato de alguém. Isso está mudando no papel: o estado de São Paulo mantém um Mapa do Turismo LGBT, e o litoral entrou nele — Guarujá, São Vicente e Praia Grande aparecem na lista, ao lado de Peruíbe, Itanhaém, Iguape e Iporanga. Na cobertura sobre a entrada do Guarujá, a Barraca da Dhéia é citada como um dos pontos de apoio LGBTQIAPN+ da cidade, junto da Barraca da Márcia É Show, na Enseada, e do Quiosque 39.
Estar numa lista do governo não é o mesmo que ser bom, e mapa nenhum torna um lugar acolhedor. O que ele faz é tirar a desculpa. Uma prefeitura que assinou embaixo disso pode ser cobrada, e quem nunca foi ao Guarujá passa a ter por onde começar que não seja uma listinha escrita por alguém que nunca sentiu o cheiro da maré baixa na Enseada.
O que dá pra confirmar, e o que não dá
Duas coisas ditas na lata, porque a internet aqui é rasa e confiante.
O endereço é Avenida Marechal Deodoro da Fonseca, 1522, nas Pitangueiras, e o telefone que aparece é (13) 99773-3751. Isso bate entre as fontes que carregam o cadastro.
O horário, não. Um guia comercial lista segunda a sexta das 9h às 18h e sábado só de manhã — ou seja, horário de escritório colado numa barraca de praia, numa praia que vive de fim de semana e de tarde. O mesmo cadastro mostra nota 5,0 com zero avaliações. Trate os dois como ruído de diretório. Ligue antes de montar o dia em cima disso, e, se quiser a versão confiável, vá num sábado quente à tarde, que é quando barraca nas Pitangueiras está aberta por definição.
Quando ir
Agora, ou nas próximas semanas. Setembro abre a primavera no litoral, e a faixa das Pitangueiras funciona melhor na janela depois que o tempo vira e antes de dezembro transformar a areia numa negociação. Do centro de Santos é balsa e um pedaço de carro — perto o suficiente para entrar no mesmo fim de semana do resto da Baixada, não numa viagem à parte.
Montando esse fim de semana direito: o Quiosque da Cris, na Praia do Itararé, em São Vicente, é a instituição equivalente na baía do lado, e o Canto dos Ursos, na Praia Grande, resolve a noite quando a areia esvazia. Três cidades, três lugares, um litoral que roda esse circuito há anos sem ninguém ter escrito.
Fontes: Anda Direito — Barraca da Dheia (LGBTQ+ community place directory), Bendito Guia — Barraca da Dhéia, LGBT Pitangueiras Guarujá SP (address/phone listing), A Tribuna — Litoral de São Paulo entra no Mapa do Turismo LGBTQIAPN+ com destinos inclusivos, Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo — Mapa do Turismo LGBT acrescenta novos municípios inclusivos, Instagram — @barracadadheia (venue's own channel)



