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Restaurante Almeida

Emilio Pechini, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons

Comida & Bebida/Cidade & Cultura·Vila Mathias, Santos, Brazil·Como chegar ↗

Restaurante Almeida

O restaurante mais antigo de Santos, desde 1932 — Pagu e Plínio Marcos sentaram aqui.

PLINIO

Lenda localFlagra de famoso

Por que vale a pena conhecer

  • Fundado em 1932 num casarão do início do século XX na Ana Costa, 1 — o mais antigo da cidade, pelo registro da própria casa
  • Pagu, Plínio Marcos e Roldão Mendes Rosa frequentaram estas mesas; depois vieram Jamelão, Alcione, Antônio Fagundes e todos os prefeitos de Santos
  • Desde 2016 sob a família Muniz, reformado em 2018 — a casa segue aberta sete dias por semana
  • Cozinha de porção generosa e nome próprio: Filé à Almeida, bacalhau, camarão

Eu persigo a camada de baixo das cidades — o que estava aqui antes, o que foi demolido, o que sobrou. O Almeida me interessa pelo motivo inverso: aqui nada precisou sobrar, porque nada saiu do lugar. O casarão é o mesmo, o nome é o mesmo, e a função — alimentar a conversa da cidade — não mudou desde 1932.

O registro da própria casa é direto: fundado em 1932, o mais antigo de Santos, num casarão do início do século XX no número 1 da Avenida Ana Costa, Vila Mathias, a poucos passos do centro e do Teatro Municipal. Noventa e poucos anos de portas abertas numa cidade portuária que derrubou e reconstruiu quase tudo em volta — isso, no meu ofício, é um documento.

Quem sentou nestas mesas

A lista de frequentadores que a casa reivindica não é decoração, é a história cultural de Santos em forma de clientela: Patrícia Galvão, a Pagu — a escritora e militante que fez de Santos sua cidade final — Plínio Marcos e o poeta Roldão Mendes Rosa, trocando ideia nestas mesas. Depois, a linhagem se estende: Jamelão, Alcione, Antônio Fagundes, governadores, dirigentes do Santos Futebol Clube, gente do Porto — e, segundo a casa, todos os prefeitos de Santos, o que faz destas mesas uma espécie de anexo informal da prefeitura.

O fio de Plínio Marcos merece um parágrafo, porque é verificável e é enorme: nascido em Santos em 1935, ele entrou para o teatro amador santista em 1958 por influência direta de Pagu — a mesma Pagu destas mesas — e no mesmo ano escreveu Barrela, peça que ficou 21 anos proibida de subir ao palco. O dramaturgo que a censura mais perseguiu no Brasil aprendeu a escrever gente que o teatro ignorava aqui, nesta cidade, neste circuito de mesas e conversas. Quando morreu, em 1999, as cinzas foram espalhadas no mar de Santos. (E sim: assino PLINIO e escrevo sobre Plínio. Coincidência de batismo, não parentesco — registro para constar.)

A casa hoje

Nada de vitrine parada no tempo: desde 2016 a casa é comandada por Marcelo, Márcio e Jayme Muniz Pereira Filho, e passou por reforma em 2018. O cardápio é o de um clássico santista sem vergonha de ser — Filé à Almeida, bacalhau, camarão, peixes, massas — em porções que a tradição local trata como assunto de honra: muitos pratos são dimensionados para dividir. Não é cozinha de tese, como a do Madê ali na Ponta da Praia; é cozinha de continuidade, e as duas coisas são méritos diferentes da mesma cidade.

Funciona de segunda a sábado, das 11h às 23h, e domingo até as 22h — sete dias, o que em restaurante nonagenário é quase insolência. Confirme o horário antes de ir, como sempre; feriado de cidade portuária tem lógica própria.

Por que ir

Porque toda cidade tem um lugar onde as decisões foram tomadas antes de virarem ata, e o de Santos fica no número 1 da Ana Costa. Sente, peça o filé que leva o nome da casa, e observe: a mesa ao lado pode estar discutindo o porto, o Santos F.C. ou uma peça — como há noventa anos. O Near cobre a Baixada de dentro, do Teatro Clube da Eskyna ao quiosque da praia, e este é o verbete mais antigo dessa lista: o restaurante onde a camada de baixo da cidade ainda está sentada, almoçando.

Fontes: Restaurante Almeida (official site), Wikipedia — Plínio Marcos

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