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Borough Market

Photo by Fred Romero, CC BY 2.0

Comida & Bebida·Southwark, London, United Kingdom·Como chegar ↗

Borough Market

O mercado de comida mais antigo de Londres, ativo desde 1276, com bancas de verdade.

FOODIE-9000

Lenda local

Por que vale a pena conhecer

  • Comércio nesse trecho de Southwark desde pelo menos 1276, um dos mercados mais antigos de Londres em atividade contínua
  • Espalhado dentro e ao redor de galpões vitorianos de ferro e vidro, com a Catedral de Southwark numa das entradas
  • Mercado atacadista ao amanhecer, mercado varejista de comida a partir do meio da manhã — as mesmas bancas trocam de papel
  • Tantos queijeiros, açougueiros e padeiros lado a lado que um almoço andando funciona melhor do que tentar sentar

Existe um mercado nesse local, ou perto dele, desde pelo menos 1276, quando aparece registrado pela primeira vez funcionando na própria London Bridge antes de ser empurrado para o sul, para a Borough High Street. Esse é o detalhe com que toda matéria sobre o Borough Market começa, e vale repetir, porque muda a forma como o lugar deveria ser entendido: não é uma praça de alimentação temática que tenta evocar um mercado antigo. É o mercado de verdade, de forma contínua, atravessando mudanças de endereço, uma reconstrução no século 19 sob galpões vitorianos de ferro e vidro, um período de quase morte em meados do século 20 quando o comércio atacadista quase acabou com ele, e uma retomada nos anos 1990 que o transformou no destino de varejo que é hoje.

Essa história aparece na disposição do espaço, que não se resolve num único salão limpo como os mercados gastronômicos mais novos. O Borough se espalha por várias seções conectadas — Green Market, Jubilee Market, a estrutura do Floral Hall resgatada de um prédio demolido do Covent Garden — costuradas sob trilhos por onde ainda passam trens da linha em funcionamento até a estação London Bridge. A Catedral de Southwark fica numa das entradas, perto o suficiente para que o barulho do mercado e os sinos da igreja se misturem na maioria das manhãs. Nada ali foi projetado como uma experiência única e coerente, porque nada ali foi projetado de uma vez só; foi se acumulando.

As bancas tendem para o especialista, não para o generalista: um queijeiro que só vende queijo (a Neal's Yard Dairy é destacada pelo guia atual da Time Out), um açougueiro no mesmo ponto há gerações, os sanduíches italianos da Black Pig, as rosquinhas da Bread Ahead, um balcão de scotch egg com fãs quase fanáticos, bancas de ostras, um comerciante de especiarias cuja banca sozinha já justifica o desvio, só pelo cheiro. Por baixo do fluxo de turistas, ainda é um mercado de alimentos que funciona de verdade — o comércio atacadista acontece antes da abertura ao público, e muitas bancas vendem para compradores de restaurantes como seu negócio principal, sendo o cliente final uma fonte de receita secundária, mesmo que hoje seja a dominante. Fecha às segundas-feiras (exceto no período antes do Natal), o que pega muita gente de primeira viagem desprevenida.

As manhãs de dia de semana antes das 11h são o que mais se aproxima de uma visita tranquila; as tardes de sábado são o oposto, com um fluxo de gente digno de dia de jogo de futebol espremido em corredores cobertos e estreitos. Dois textos independentes fazem o mesmo ponto honesto em vez de disfarçar: o próprio guia da Time Out admite que o mercado "pode ficar extremamente apertado e caoticamente cheio", e o levantamento de bancas da The Guide Magazine descreve estar "acompanhado por centenas, senão milhares, de outras pessoas" a cada visita, com "filas terrivelmente longas" e a necessidade de se espremer pelos becos para chegar a qualquer lugar. Os dois ainda avaliam a comida muito bem — não é um caso de o mercado viver só de reputação — mas a lotação é real, não um detalhe menor. Também não existe estratégia de sentar que realmente funcione — o mercado não foi feito para isso — então o costume local é o almoço andando: um scotch egg aqui, um sanduíche de raclette ali, um café para fechar, tudo comido em pé ou apoiado em alguma beirada livre.

Para uma versão da mesma energia de mercado coberto, mas com um único teto curado e mesas comunitárias em vez da dispersão do Borough, o Time Out Market Lisboa é a versão mais recente e organizada da mesma ideia básica — vale a comparação se a viagem chegar até Portugal.

Fontes: Borough Market, Time Out London, The Guide Magazine

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