
Djapa
Um rodízio japonês em Moema que sobreviveu a duas décadas de modismo gastronômico em SP.
Por que vale a pena conhecer
- Começou em Arujá em 2004, chegou à capital com a unidade de Moema uma década depois, em 2014
- Rodízio com mais de 40 pratos em rotação, não um menu fixo
- Vai além do sushi padrão: ostras, casquinha de caranguejo, sobremesas com sabores como pera e canela
- Tem rotação vegetariana e vegana construída de verdade, não um item avulso enfiado no cardápio
Rodízio — aquele serviço em que os pratos não param de chegar até a mesa dar sinal de "chega" — é um formato que São Paulo leva a sério em escala de verdade, e o rodízio japonês especificamente já passou por tantos ciclos de boom e acomodação na cidade que um restaurante sobreviver duas décadas na categoria já é, por si só, uma espécie de aval. O Djapa começou menor e mais longe, em Arujá, na região metropolitana, lá em 2004, depois Mogi das Cruzes, antes de abrir o que hoje é seu endereço mais conhecido, em Moema, em 2014 — a ordem importa, porque significa que o restaurante de Moema é um negócio que já tinha provado o formato em outro lugar antes de apostar num dos bairros mais entendidos de comida da capital.
O carrossel em si passa de 40 pratos, volume suficiente pra uma única visita genuinamente não cobrir tudo o que está disponível — sushi e sashimi formam a base, mas a cozinha avança por um território que muita casa de rodízio pula: preparações com ostra, caranguejo, e uma linha de sobremesas com sabores como pera e canela em vez do mochi de sempre e mais nada. Essa variedade é parte do que manteve o restaurante reconhecido pela imprensa gastronômica local — Veja Comer e Beber e Go Where Gastronomia entre eles — em vez de se perder no campo bem lotado dos rodízios paulistanos.
O outro detalhe que vale citar sem rodeio: o Djapa construiu rotações vegetarianas e veganas de verdade, em vez de tratar quem não come carne como um estorvo pra contornar num cardápio pesado em proteína animal, o que ainda não é universal no formato nem hoje. Pra uma mesa com necessidades alimentares diferentes — bem comum numa cidade do tamanho e da diversidade gastronômica de São Paulo — isso é um motivo prático pra escolher esse rodízio específico em vez de um concorrente, não só um detalhe simpático.
Nada disso faz do Djapa um restaurante escondido — é um point de Moema bem avaliado e recomendado publicamente, não um achado secreto, e não tem garantia de mesa sem espera num sábado à noite. Mas "conhecido e ainda bom depois de tanto tempo" já é um tipo de recomendação num formato onde muito concorrente corta caminho assim que o burburinho inicial esfria, e o clima mais tranquilo e residencial de Moema — um contraste com o barulho de bar e vida noturna de bairros como a Vila Madalena — faz dele uma boa âncora pra uma noite mais calma nessa parte da cidade.
É também o ponto fora da curva do conjunto paulistano a que pertence — outro bairro, outro formato e a cozinha de outro país em relação à dupla da Liberdade, Rong He e Thai E-San. Vale tratar como uma noite à parte, não como a terceira parada de uma mesma caminhada.
Fontes: Djapa (official site), BaresSP
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