
Photo by Dé Comber via Diários Gastronômicos
Rong He
Uma instituição da Liberdade onde o macarrão é esticado na sua frente, à vista.
Por que vale a pena conhecer
- Na Rua da Glória, na Liberdade, o bairro chinês-japonês tradicional de São Paulo, desde bem antes da onda atual de atenção ao bairro
- O diferencial é o macarrão esticado à mão na frente do cliente, não cortado numa máquina que ninguém vê
- Já são quatro unidades pela cidade, mas a original da Liberdade continua sendo a de reputação
- Um almoço de segunda-feira lotado de habitué diz mais sobre o lugar do que um sábado à noite com fila
A Liberdade é o bairro histórico do leste asiático em São Paulo — o bairro mais associado à imigração japonesa no imaginário popular da cidade, mas que de fato abriga uma cena comercial e gastronômica mista de chineses, japoneses, coreanos e outras comunidades do leste asiático, anterior à maioria dos bairros que hoje viram matéria de "novo point" de São Paulo. O Rong He, na Rua da Glória, é um marco da metade chinesa dessa mistura, e sua reputação se sustenta num detalhe específico e visível de ofício: o macarrão é puxado e esticado ali mesmo, não preparado fora de vista e só reaquecido na hora do pedido.
Não é um detalhe pequeno. A técnica de macarrão puxado à mão — esticar e dobrar uma única massa em fios cada vez mais finos, com movimento repetido — é uma habilidade real e visível, e ver isso acontecer na mesa (ou pelo menos bem à vista dela) é parte do motivo pelo qual o restaurante construiu o público que tem, além da comida em si ser boa. É o tipo de detalhe que soa golpe de marketing quando o restaurante faz só pra mostrar, e soa demonstração de técnica de verdade quando o macarrão que sai dali realmente fica melhor por causa do processo — que, pelo relato da maioria, é o caso aqui.
O Rong He cresceu desde o começo na Liberdade — hoje tem unidades na Avenida Ibirapuera, na Rua Tutóia no Paraíso e na Rua Eleonora Cintra, dando ao restaurante um alcance pela cidade bem maior do que um endereço único e secreto. Mas o original da Liberdade continua sendo o endereço com o peso da reputação, e vale escolher esse de propósito em vez de uma filial mais conveniente se o bairro em si — com suas casas de macarrão, feiras diurnas e mercearias nipo-brasileiras — for parte do motivo da visita, não só a comida.
A leitura mais honesta de qualidade aqui não é uma fila de sábado à noite, que qualquer restaurante conhecido numa cidade tão voltada à comida consegue gerar só na base da reputação; é o almoço de segunda-feira, cheio de gente que claramente come ali com regularidade, não como programa único. Isso é mais difícil de forjar do que uma fila de fim de semana, e é o detalhe que separa um restaurante vivendo de reputação antiga de um que ainda está, refeição após refeição, merecendo ela de verdade.
Se a ideia é montar uma tarde na Liberdade e não só uma refeição, o Thai E-San fica a poucos quarteirões e não cozinha nada parecido com isto — comida isan, do nordeste da Tailândia, num bairro mais associado a cozinha japonesa e chinesa. O contraste é justamente a graça, e é dele que puxamos no guia mais amplo de São Paulo.
Fontes: Rong He (official site), Diários Gastronômicos
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