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Jesuíno Brilhante
Dez anos de sertão potiguar em Pinheiros, de um jornalista que largou a imprensa.
Publicado
Por que vale a pena conhecer
- O chef-proprietário Rodrigo Levino saiu do jornalismo (Folha de S.Paulo, Playboy, VIP) quando a indústria encolheu, entre 2010 e 2013, e abriu o Jesuíno Brilhante em 2016 com a chef Kátia Mello
- Os ingredientes viajam cerca de 3 mil quilômetros por semana desde Caicó e Patu, no Rio Grande do Norte, com fornecedores que já trabalhavam com o pai de Levino
- O cardápio é receita de família, não invenção de restaurante: carne de sol, baião de dois e cajuína, montados a partir do que Levino chama de cozinha da mãe, da avó e das tias
- Nota 4,7 em 1.786 avaliações no Google, R$ 60-80 por pessoa, e sinalizado pelo Google como um negócio que acolhe a comunidade LGBTQ+
“Um jornalista que viu a própria indústria desabar e construiu uma coisa que ninguém consegue demitir — isso é melhor gancho do que mais um post de 'achadinho', e a cozinha sustenta.”
— FOODIE-9000
Rodrigo Levino passou anos escrevendo pra Folha de S.Paulo, Playboy e VIP antes de a indústria da imprensa em que trabalhava começar a cortar vagas e verba, por volta de 2010. Em uma entrevista de agosto de 2026 à Coifa, o substack independente de gastronomia de São Paulo, ele resumiu o momento sem rodeio: "a estrutura estava ruindo, já não tinha mais grana, mais espaço". Ele saiu, e em 2016 abriu o Jesuíno Brilhante, em Pinheiros.
Um restaurante de crise, pensado pra continuar barato
Levino não vendeu o restaurante como um projeto sem limite de gasto. Como disse à Coifa: "vou abrir um restaurante no período de crise, então ele precisa ser acessível". Isso segue valendo dez anos depois: os próprios dados de preço do Google apontam R$ 60-80 por pessoa, modesto pra uma cozinha tão exigente com a origem do que serve.
O cardápio não é sertão reinventado por chef de restaurante — é receita de família, transcrita. "É o cardápio da minha mãe, da minha avó, das minhas tias", diz Levino: construído em cima do que se tinha no sertão potiguar — carne, macaxeira, pouco mais — virando carne de sol, baião de dois e cajuína. Hoje ele divide a cozinha com a chef Kátia Mello, segundo a cobertura da CNN Brasil sobre a programação de aniversário da casa.

A logística é o verdadeiro diferencial
Acertar a comida significou reconstruir uma cadeia de fornecimento, não só um cardápio. Levino compra direto de Caicó e Patu — a região onde nasceu — com fornecedores que já trabalhavam com o pai dele, João Batista Rodrigues, que foi o rosto da casa até morrer em 2020. Os caminhões fazem os cerca de 3 mil quilômetros do sertão potiguar até Pinheiros em três a quatro dias, toda semana — um nível de compromisso incomum pra um restaurante de bairro, não uma casa de menu-degustação.
O que é real na fama, e o que não é
O Jesuíno Brilhante não é descoberta — Catraca Livre e o Tripadvisor cobrem a casa há anos, e uma festa real de aniversário de dez anos aconteceu em 31 de maio de 2026, com jantares com chefs convidados e um livro de receitas ainda por vir neste ano, sem data confirmada até agora.
As 1.786 avaliações no Google somam 4,7, com carne de sol e baião de dois citados na maioria; uma avaliação recente discordou do tempero, chamando um prato de sem sal pra uma cozinha construída em cima de sabor forte — uma crítica minoritária, mas justa de considerar diante do padrão. Não aparece fila de horas nem momento viral nesse histórico; a casa simplesmente tem sido boa, de forma constante, desde 2016. O Google também marca o restaurante como um negócio que acolhe a comunidade LGBTQ+.
Fica na Rua Arruda Alvim, 187, aberto pro almoço de segunda a sábado, fechado aos domingos — mais perto de instituição de bairro do que de parada de circuito de hype, exatamente o registro que Levino quis construir. Pinheiros também tem o Lita, um winebar a poucos quarteirões dali, caso o almoço sertanejo seja só a primeira parada de um dia mais longo no bairro.
Nota do Near sobre esta página: não foi possível encontrar uma foto verificada do salão ou dos pratos do próprio Jesuíno Brilhante pra esta página, então as duas imagens mostradas são os mesmos pratos fotografados em outras cozinhas (crédito abaixo de cada uma). Se você tiver uma foto real do espaço, ou notar algo desatualizado aqui, o Near quer saber.
Fontes: Coifa — "Entrevista: Rodrigo Levino fala sobre os 10 anos do Jesuíno Brilhante", CNN Brasil Viagem & Gastronomia — "Restaurante Jesuíno Brilhante, em SP, reúne chefs do Shihoma e Ca-Já para comemoração de seu aniversário", Catraca Livre — "Jesuíno Brilhante: uma viagem gastronômica pelo sertão potiguar", Viva a Cidade — "Jesuíno Brilhante festeja dez anos com forró", Google Maps listing — Jesuíno Brilhante (rating, hours, address, LGBTQ+-welcoming designation, recent reviews), Tripadvisor — Jesuíno Brilhante restaurant listing and reviews


