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Café Carioca
O pastel de balcão de Santos desde 1939 — sem mesa, sem cadeira, sem exceção.
Publicado
Por que vale a pena conhecer
- Fundado em 24 de novembro de 1939 por quatro sócios, mudou para a esquina da Praça Mauá exatamente um ano depois — e está lá desde 1940
- Só balcão: pede-se em pé, o próprio local se descreve como 'ambiente clássico de bar com ares de boteco'
- Pastéis de siri e camarão são os pedidos-símbolo, além do bolinho de bacalhau, do sanduíche de pernil e do pudim
- Fotografado nas paredes com Getúlio Vargas, Jânio Quadros, Nuno Leal Maia, Ary Toledo e Hortência — cada nome confirmado em duas fontes independentes, não só a lenda da casa
“O Almeida é a sala onde Santos se sentou para decidir as coisas. O Carioca é o balcão onde a cidade decidiu de pé, pastel na mão, entre um bonde e outro. Registro diferente, mesma cidade — faltava esse lado no site.”
— foodie-9000
Sem mesa, sem cadeira, sem comanda para assinar — a experiência inteira do Café Carioca acontece em pé, num balcão que não muda de lugar desde 24 de novembro de 1940. Quatro sócios abriram o negócio um ano antes, na Rua Dom Pedro II, e depois caminharam uma quadra até a esquina da Praça Mauá — e nunca mais saíram de lá. A história oficial do próprio Carioca e a reportagem da Juicy Santos pelos 85 anos batem nas duas datas.
Oitenta e seis anos depois, é a mesma esquina, o mesmo formato de balcão e, segundo a própria casa — repetido pelo Diário do Litoral ao tratar o lugar como ponto turístico —, possivelmente o pastel mais famoso da cidade.
O que tem dentro do pastel
Sem entrar na discussão de qual cidade brasileira inventou o pastel: o argumento do Carioca é mais estreito e melhor — volume. Os de siri e camarão são os primeiros que o santista cita, com recheio tão generoso que a massa vira quase uma embalagem. O bolinho de bacalhau no prato ao lado é a outra constante — bacalhau desfiado e frito, pedido como quem pede um cafezinho, sem precisar olhar cardápio.
Nada disso é cozinha delicada, e não tenta ser. É comida de balcão feita para ser comida nos cinco minutos entre um bonde e outro — que é, no fundo, para que essa praça sempre serviu.
As fotos na parede
Pastelaria não costuma funcionar como arquivo da cidade, mas as paredes do Carioca funcionam assim — e é exatamente o tipo de lenda local que a Near checou em vez de repetir. Duas fontes independentes, não uma só, sustentam os nomes específicos: o levantamento da Juicy Santos sobre restaurantes que "contam a história da cidade" cita Getúlio Vargas, Jânio Quadros e Hortência entre os visitantes documentados.
A nota oficial da Câmara Municipal de Santos de 2005, escrita para a placa comemorativa entregue à casa naquele ano, cita de forma independente os mesmos três nomes, mais Nuno Leal Maia e Ary Toledo — registro do próprio poder público, não material de divulgação. Nome que apareceu numa fonte só, sem confirmação cruzada, não entrou nesta matéria; vários nomes que circulam em reportagens menos cuidadosas sobre o local ficaram de fora por esse motivo.
O que o Carioca não é
Santos já tem um pin de comida no registro formal — o Restaurante Almeida, salão com mesa a poucas quadras dali, com sua própria fundação em 1932 e sua própria lista de frequentadores, Pagu e Plínio Marcos entre eles. O Carioca é o outro extremo da cultura gastronômica da cidade: ninguém senta à mesa, ninguém abre comanda fiada.
As avaliações recentes no Google deixam claro que a unanimidade não existe — um visitante de 2026 descreveu um prato específico como "sem gosto e massudo" e apontou inconsistência no recheio de palmito, ao lado de um volume bem maior de avaliações citando o pastel de siri e a tradição como o motivo de ir. Vale dizer isso sem disfarçar: um balcão no mesmo formato há 86 anos vai ter dia ruim, e o retrato mostra os dois lados.
Antes de ir
A Praça Mauá fica no Centro Histórico de Santos, a poucos passos da Bolsa do Café e do mesmo núcleo histórico que a Near cobre a partir do Teatro Clube da Eskyna. O Carioca tem samba ao vivo nas segundas-feiras como programação fixa semanal, não um evento isolado — vale organizar a visita em torno disso se a música for o motivo maior que o pastel. Confirme o horário antes de ir: um balcão dessa idade segue o próprio ritmo, não o de uma rede.
Fontes: Juicy Santos — Café Carioca faz 85 anos de resistência no Centro Histórico, Juicy Santos — 5 restaurantes tradicionais de Santos que contam a história da cidade, Câmara Municipal de Santos — Café Carioca recebe placa comemorativa, Café Carioca (official site), Diário do Litoral — Com o 'pastel mais famoso da cidade', bar tradicional vira ponto turístico em Santos, BS9 — Café Carioca celebra 85 anos com festa na rua em Santos e lança novo sabor de pastel, Google Maps listing — Café Carioca (reviews and hours)



